A Migração

A Migração

A migração segundo o dicionário Houaiss significa "movimentação de entrada (imigração) ou saída (emigração) de indivíduo ou grupo de indivíduos, geralmente em busca de melhores condições de vida"

A migração destes indivíduos é explicada pelas secas que já assolavam o nordeste naquela época, bem como as condições de vida précarias em algumas localidades do sertão. Resumidamente, os nordestinos, para chegar a São Paulo utilizaram uma das seguintes formas:

  • Ir a pé, a partir do interior baiano rumo a São Paulo (o trajeto todo)
  • Nos portos marítimos do litoral nordestino, embarcar em um dos "Itas" da Companhia Nacional de Navegação Costeira com destino ao Rio de Janeiro ou Santos. Chegando a estes portos, embarcariam em trem rumo à capital paulista;
  • Embarcar em Juazeiro na Bahia, ou em um dos outros portos fluviais atendidos pelos vapores do Rio São Francisco e tomarem um vapor até Pirapora (MG), aonde a Central chegara em 28 de Maio de 1910. Chegando a esta cidade, embarcariam em trem rumo a Belo Horizonte (ou Conselheiro Lafaiete) e daí a São Paulo;
  • Ir a pé até alguma estação da Central (Montes Claros ou Monte Azul), para de lá embarcar em um trem rumo a Belo Horizonte e daí a São Paulo;
  • A partir de 1950, destinar-se à Salvador e lá embarcar em trem da Viação Férrea Federal Leste Brasileiro para Monte Azul, e nesta cidade tomar o trem da Central rumo a Belo Horizonte e daí a São Paulo;
  • Embarcar em um caminhão "pau-de-arara", rumo a uma estação para utilizar uma das opções ferroviárias acima citadas;
  • Embarcar em um caminhão "pau-de-arara", diretamente rumo a São Paulo ou Rio de Janeiro, pela Rodovia Rio-Bahia, inaugurada em 1949 segundo Ely Souza Estrela;

É importante destacar que antes mesmo da Central chegar à Pirapora, há relatos da migração nordestina a São Paulo. Com a chegada do trem a esta cidade, apenas facilitou-se e avolumou-se esta migração. Para conhecer mais sobre os canais de migração, recomendo a leitura do livro Os Sampauleiros de Ely Souza Estrela (O cotidiano dos sampauleiros p. 77) e da Tese de Mestrado de Monia de Melo Ferrari, (A vinda dos migrantes nordestinos para São Paulo p. 102). São duas fontes fundamentais de informação, contendo mais dados e inclusive relatos orais.