Vale acena com fábrica de trilhos ferroviários em Minas Gerais

Registro de possível investimento da Vale em siderurgia / produtos acabados: laminação de trilhos ferroviários, agregando valor ao minério de ferro, ao invés de mandá-lo em estado bruto para o outro lado do planeta e comprar, de lá, trilhos, navios etc.

Mero aceno, pois não dá prazo, nem afirma decisão. Está "estudando".

Recapitula que o Brasil já foi produtor de trilhos ferroviários, quando a Cia. Siderúrgica Nacional - CSN era estatal; e que o grupo Vicunha (atual controlador da CSN) e Gerdau (via Gerdau-Açominas) também estão avaliando tal possibilidade, diante dos investimentos estatais na expansão da rede de ferrovias.

Recapitulação de afirmações já comuns em notícias recentes sobre o assunto, de que os investimentos estatais programados na expansão das ferrovias proporcionam demanda para uma fábrica de trilhos ferroviários.

Vale estuda fábrica de trilhos

Usina seria em Governador Valadares, com capacidade de produzir 500 mil toneladas/ano. 

A Vale S/A estuda construir uma usina siderúrgica para fabricar trilhos, em Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, revelou ontem o superintendente de Política Mineral da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede), Eduardo Carlos Jardim Mozelli. A planta deverá ter capacidade instalada de 500 mil toneladas/ano.

A maior parte da produção seria consumida pela mineradora, disse o superintendente, durante debate público sobre o Plano Nacional de Mineração e o Novo Marco Regulatório, realizado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A Vale detém o controle de três ferrovias: Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e a Estrada de Ferro Carajás.

"O empreendimento está sendo maturado e estamos aguardando seu desenvolvimento", afirmou. Mozelli disse ainda, sem revelar detalhes, que o projeto básico da usina já foi finalizado. Especialistas estimam que os investimentos necessários para uma fábrica de trilhos são de aproximadamente US$ 1,5 bilhão.

A possibilidade de a Vale construir uma siderúrgica em Governador Valadares surgiu no ano passado. Os aportes seriam uma contrapartida exigida pelo governo estadual para a implantação do projeto Apolo, complexo minerário na Serra do Gandarela (região Central).

Caso as inversões sejam confirmadas, a planta poderá ser a única produtora de trilhos do país. Atualmente, o consumo interno é atendido pelas importações. As concessionárias e o governo federal compram de países da Ásia e do Leste europeu. A maior parte do material desembarcado no país é produzida na China e na Ucrânia.

CSN - A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) chegou a produzir trilhos ferroviários, mas encerrou a atividade na década de 1990, em virtude da baixa demanda do setor no Brasil. Mas, diante das previsões de incremento no consumo de trilhos nos próximos anos, está aumentando o interesse por parte das empresas neste segmento.

O grupo gaúcho Gerdau também avalia, desde o início deste ano, a retomada de um projeto para produzir trilhos na Gerdau Açominas, em Ouro Branco (Campos das Vertentes), já que possui, desde 2002, um laminador de perfis.

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), as perspectivas são de manutenção da demanda em patamares considerados suficientes para manter a produção nacional. O consumo de trilhos no Brasil está próximo deste nível, que é de 500 mil toneladas/ano.

Entre os motivos que mantêm as projeções positivas, está a previsão de expansão da rede ferroviária em 36% até 2020, passando dos atuais 30 mil quilômetros para 41 mil quilômetros. Além disso, após este período poderá haver uma adição de mais 10 mil quilômetros.

Entre os investimentos que deverão fomentar as vendas de trilhos no Brasil está a construção da Transnordestina, que deverá ter 1.728 quilômetros, ligando os postos de Pecém (CE) e Suape (PE) ao cerrado do Piauí. A estrada de ferro deverá receber aportes da ordem de R$ 5,4 bilhões até 2012.

Outro empreendimento é a ferrovia Oeste-Leste. O projeto será desenvolvido pela Valec, estatal federal do ramo ferroviário, ligada ao Ministério dos Transportes. Ela terá 1,4 mil quilômetros de extensão, passando pelos estados da Bahia e do Tocantins, e terá ligação com a Ferrovia Carajás e a Norte-Sul.

RAFAEL TOMAZ | Diário do Comércio (MG) | 09-08-2011

http://www.diariodocomercio.com.br/index.php?id=70&conteudoId=103832&edicaoId=1050

Sobre o "caso Vale"

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