Trem de passageiros pode ser solução para o trânsito
A implantação do trem de passageiros foi discutida na manhã de hoje, 25, na Câmara de Vereadores. Comunidade e autoridades fizeram-se presentes para discutir a viabilidade do transporte ferroviário entre Rio Grande, Capão do Leão e Pelotas. Esses dois últimos municípios já realizaram audiências públicas sobre o assunto.
O deputado federal Fernando Marroni (PT) informou que a Universidade Federal de Santa Catarina e a empresa Trensurb deverão realizar estudos sobre o processo de implantação: onde serão as estações de passageiros, quais os horários e se será integrado com o transporte rodoviário e de que forma será essa integração.
O vereador Luiz Francisco Spotorno (PT) abriu a audiência ressaltando que Rio Grande não poderia ficar à margem dessa nova discussão, que vem para atender as demandas da mobilidade urbana. "A movimentação de trens é histórica aqui em nossa região. E este pode ser considerado um reinício, um resgate dessa história".
O deputado federal Fernando Marroni (PT) concordou que esse tema é na verdade um resgate do passado. "O Brasil sofreu determinados apagões nas áreas de maior desenvolvimento econômico. Um deles é o transporte sobre trilhos". O deputado lembrou que o governo Lula revitalizou a malha ferroviária no País. "A ferrovia Norte/Sul já tem 1 mil e 200 metros construídos. E queremos que seja Sul/Norte, com a construção da ferrovia se encontrando no meio do País". Para nossa região, acredita o deputado, esse meio de transporte tornou-se mais do que necessário. "O Polo Naval do Rio Grande demanda uma nova estrutura de mobilidade", garantiu.
O Ministério dos Transportes, conforme o deputado, está trabalhando hoje em três frentes: trens de alta velocidade, trens turísticos e trens regionais. Estes têm limite de velocidade de 80 quilômetros/hora. Serão produzidos pela indústria brasileira e servirão para transporte de passageiros e cargas pequenas. "Os estudos de viabilidade técnica já estão sendo finalizados", acrescenta.
A intenção de Marroni agora é montar um comitê em defesa da implantação da rede ferroviária. Explicou que existem no Brasil 64 trechos que podem ser melhor utilizados. Nove estão sendo analisados, e, dentre estes, os de Caxias do Sul/Bento Gonçalves, Londrina/Maringá e Pelotas/Rio Grande. Essas linhas podem ser operadas pelo setor privado, por parcerias público-privadas ou por consórcios públicos.
A linha que compreende Rio Grande, Capão do Leão e Pelotas tem 80 quilômetros de extensão. Atualmente o trecho é da ALL Logística. Os estudos, conforme Marroni, devem apontar uso compartilhado da via férrea ou então a construção de uma via exclusiva. "Agora o País e nossa região não têm mais capacidade de crescer e se desenvolver sem a ferrovia e a hidrovia", salientou.
O professor Heitor Vieira, especialista na área de Engenharia de Transportes, com ênfase em Gestão Ambiental, ressaltou que a área Rio Grande/Pelotas está se configurando uma região metropolitana. "E não tem mais como garantir qualidade de vida sem o transporte ferroviário", enfatizou.
O deputado Alexandre Lindemeyer (PT) disse que estamos vivendo um novo ciclo. "Há sinais da retomada de crescimento de nossa região. E desenvolvimento econômico traz crescimento populacional. Precisamos planejar, a curto e médio prazo, para a qualidade de vida. E isso implica a qualificação do transporte coletivo, seja ele via ônibus ou trem". Ele especificou que a Trensurb garantiu que Rio Grande tem todas as características necessárias para a viação férrea fazendo o anel peninsular, área portuária e locais por onde hoje circula o transporte rodoviário. "Já protocolamos solicitação para liberação de recursos para estudos junto ao Ministério dos Transportes", afirmou. Finalizou dizendo: "temos que nos enxergar como desenvolvimento regional e, com isso, agregar a qualidade de vida. E o transporte ferroviário vem ao encontro disso".
O problema que o País enfrentou neste feriado prolongado em relação ao trânsito, que foi caótico e ficou praticamente inviabilizado, também registrado em nossa região, foi lembrado pelos participantes da audiência pública. E todos foram unânimes em dizer que o transporte ferroviário seria uma das soluções para essa situação, que se torna, a cada ano, pior nas rodovias.
Por Anete Poll | Jornal Agora | 25-04-2011 - 17h53min
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