Metrofor não pode atrasar

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Após 11 anos de atraso, metrô de Fortaleza tem desafio de concluir Linha Sul e levar trens ao Castelão em quatro anos

Depois de 10 anos convivendo com atrasos, paralisações e contingenciamento de recursos, o Metrô de Fortaleza (Metrofor) chega ao 11º aniversário este ano com um desafio: evitar pelos próximos quatro anos todos os problemas anteriores e entregar, antes da Copa de 2014, a Linha Sul, onde as obras começaram em 1999, e o ramal Mucuripe-Parangaba-Castelão, que nem começou.

A Linha Sul, de acordo com a Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor), tem 76,9% das obras concluídas. O início dos primeiros testes, entre as estações Aracapé e Carlito Benevides (antiga Vila das Flores, em Pacatuba), está confirmado para setembro, segundo o presidente do órgão, Rômulo Fortes. O impasse com o consórcio de empresas responsáveis pelo fornecimento e a montagem de sistemas elétricos do metrô (Siemens, Alston, AD Tranz e Bombardier) foi superado, e os trabalhos poderão começar nos próximos dias.

As empresas alegavam desequilíbrio econômico-financeiro e pediam um aditivo de replanilhamento que atualizasse os custos com a obra em relação ao previsto no contrato original. Segundo Fortes, um termo aditivo de replanilhamento foi acordado com representantes locais das empresas, resolvendo as questões mais urgentes, que impediam o início das obras. O documento foi remetido para aprovação da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) - co-gestora do projeto - e deve ser ratificado pelo setor jurídico das multinacionais até o próximo dia 20.

Devido ao tempo, os testes em setembro serão realizados apenas em um dos sentidos da Linha Sul. Os dois primeiros trens, que devem chegar até o fim de agosto, serão agrupados em uma só composição de 80 metros, com seis carros, simulando horário de pico. Antes, a ideia era fazer o teste com as composições individuais - 40 metros - em sentidos contrários. O cronograma prosseguirá entre novembro e dezembro, quando a operação assistida deverá começar.

No último mês do ano, os testes deverão chegar até a estação de Parangaba. Em 2011, deve começar a operação comercial em parte da Linha Sul, que, até o fim do ano, deverá cumprir todo o percurso, até a Estação Xica da Silva (antiga João Felipe), no Centro. O custo da obra soma R$ 1,705 bilhões, totalmente captados.

Estação na Uece

Já o VLT Mucuripe-Parangaba-Castelão teve o projeto executivo assinado no último dia 26 de abril e aguardava apenas a publicação no Diário Oficial do Estado para ser executado. A obra total custará R$ 640 milhões, dos quais R$ 290 milhões já estão assegurados por meio do PAC da Mobilidade Urbana, sendo R$ 25 milhões de contrapartida do governo estadual.

O valor garantido é suficiente para executar o trecho entre Mucuripe e Parangaba, que terá 17km e 10 estações. Já para o ramal Parangaba-Castelão, criado especialmente para atender ao Estádio Castelão, o Governo ainda busca captar recursos.

Uma das novidades no percurso até o Castelão é a transferência da estação anteriormente prevista para o Aeroporto Pinto Martins para as proximidades da Universidade Estadual do Ceará (Uece). "A gente mudou o percurso do VLT porque ele estava atendendo só o Castelão. Passando pela Uece, você deixa um legado para a cidade", explica. A previsão é de que os trilhos passem em elevado pelo canteiro central da Avenida Dedé Brasil, mas só o projeto executivo trará essa definição, conforme frisa Fortes.

No entanto, o acesso ao Aeroporto pelo VLT não será perdido. Rômulo explica que, como há uma estação do ramal Parangaba-Mucuripe no antigo Aeroporto Pinto Martins, este será ligado ao terminal de passageiros do atual aeroporto por um túnel de 800 metros de extensão com esteira rolante, por debaixo da cabeceira da pista.

Conforme o presidente do Metrofor, a elaboração do projeto demandará de quatro a cinco meses. Em seguida haverá a licitação, para então haver o início das obras. "Temos tempo suficiente até a Copa", garante.

Sobre o desafio de fazer em quatro anos o que não ficou pronto em dez, o gestor justifica que o grande problema foi a falta de recursos ao longo desse período. "O Metrô de Recife começou as obras em janeiro de1983. Em junho de 1985, foi inaugurado. Um metrô do tamanho do Metrofor, mas lá nunca faltou um centavo.

O nosso começou em janeiro de 1999. Era para terminar em 2001. Sem recursos, foi para 2002, 2003, 2004 e assim sucessivamente", compara. Conforme Fortes, a grande segurança atual é a inclusão da Linha Sul no PAC, assim como VLT já entre Parangaba-Mucuripe. "No PAC, não tem contingenciamento, não tem restrição orçamentária. Se tudo que estiver previsto acontecer, ele termina fácil em quatro anos", garante.

LINHA OESTE
Caucaia não deve ter metrô até 2014

Projeto metroviário foi suspenso desde 2005 pelo Governo Federal. Estado busca viabilizar recursos para retomá-lo

Apesar de estar entre as 88 ações do Plano Sistêmico de Investimentos para a Copa 2014, a Linha Oeste do Metrofor, que liga o Centro de Fortaleza a Caucaia, dificilmente será executada antes do Mundial. A obra aparece no documento orçada em R$ 847 milhões, valor correspondente ao total necessário para a implantação do metrô.

Segundo o presidente da Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor), Rômulo Fortes, o compromisso do governo estadual com a Copa é apenas a conclusão da Linha Sul e a execução do Ramal Mucuripe-Parangaba-Castelão. Explica que em 2005 a Linha Oeste foi retirada do projeto metroviário pelo Ministério da Fazenda, que cancelou parte do empréstimo assegurado até então. O valor caiu de 70 milhões de euros para 25 milhões, ou cerca de R$ 70 milhões na cotação da época. O dinheiro, acrescido de R$ 58 milhões investidos pelo Estado, foi aplicado na recuperação do material rodante, na reforma das estações e da via, na aquisição de seis VLTs (veículos leves sobre trilhos) e na construção de um viaduto sobre a Rua Visconde de Cauípe, em Caucaia.

Segundo Fortes, essas ações não aumentam a oferta atual do sistema diesel, estimada em mais de 20 mil passageiros/dia, mas a condição de transporte será melhorada. Contudo, admite que a Linha Oeste necessita virar metrô e cita que a Controladoria Geral da União (CGU), em nota técnica divulgada há um mês, recomendou a retomada do projeto. "O que estamos fazendo não resolve o problema estruturante do transporte urbano de alta capacidade na Região Metropolitana. O que resolve é um sistema metroviário".

O Estado busca a inclusão PAC de R$ 205 milhões para a Linha Oeste. O valor seria suficiente para duplicar a via atual entre Antônio Bezerra e Caucaia e retirar todas as passagens de nível existentes, com a construção de viadutos e passagens inferiores, ações previstas no projeto metrô. Fortes ressalta que o objetivo, paulatinamente, é retomar o projeto original.

SAIBA MAIS

Acidente Conforme o presidente do Metrofor, Rômulo Fortes, o acidente acontecido no canteiro de obras da sede do Metrofor que resultou na morte de dois operários no último sábado, 8, não atrasará o cronograma da obra, mas apenas a entrega do Centro de Controle Operacional, que ficaria pronto em dezembro

SINDICÂNCIA O Metrofor instaurou sindicância interna para apurar as responsabilidades pelo acidente. A investigação criminal está sendo conduzida pela Polícia. Rômulo Fortes acredita que tenha havido falha no processo de execução da obra

LINHA LESTE A implantação da Linha Leste, que prevê estações entre o Centro e o Edson Queiroz, não está prevista no Plano Sistêmico da Copa. O edital de licitação para contratação do projeto executivo foi lançado no fim de abril, e a abertura das propostas está marcada para 10 de junho. A obra tem custo estimado em R$ 3 bilhões, ainda a serem captados. Com percurso totalmente subterrâneo, a linha está prevista para ser executada em 36 meses, a partir da ordem de serviço

ÍCARO JOATHAN | REPÓRTER | 16/5/2010

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