Metrô de São Paulo recebeu US$ 8 milhões de multinacional para pagamento de propina, sugere documento
São Paulo – Foi protocolado nesta terça-feira (15) no Ministério Público Estadual (MPE-SP) um documento para ser anexado ao processo que desde 2008 apura denúncias de corrupção entre empresas multinacionais e o Metrô de São Paulo.
O documento refere-se ao contrato de licitação entre o metrô paulista e a empresa alemã Siemens, o qual sugere o pagamento de propina feito a autoridades de São Paulo e do Distrito Federal em valores que ultrapassavam US$ 8 milhões. O montante representava em torno de 7,5% do valor total dos contratos, afimou o deputado estadual Simão Pedro (PT), em entrevista à Rede Brasil Atual.
Segundo denúncias de testemunha que diz ter presenciado o processo de contratação, em reportagem da Rede Record e do portal R7, o esquema começava sempre com a manipulação dos editais de concorrência pública, tanto nos processos de compra de novos trens para a Companhia do Metropolitano de São Paulo como também a compra e manutenção dos trens da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
Consta ainda no documento que o esquema de corrupção se estenderia ao projeto principal das obras do Metrô do Distrito Federal, cujo governo, à época, era comandado por José Roberto Arruda (ex-DEM).
O deputado afirmou que o novo documento apresentou como novidade um contrato específico de uma empresa terceirizada, que em nome da empresa alemã fazia parcerias com companhias brasileiras, cuja função seria o repasse da propina a diretores e políticos brasileiros.
"Apresentamos aos promotores notas fiscais e cópias de contrato entre a Siemens e as empresas terceirizadas. Eles estudarão a conexão destas denúncias com as já existentes no Ministério Público sobre este caso", afirmou o deputado.
De acordo com Simão Pedro, foi anexada ao documento uma carta assinada pela testemunha da Siemens e direcionada ao porta-voz da empresa no ano de 2008. O conteúdo escrito dava detalhes de todo esquema de repasse de verbas ao Brasil. E, ainda, segundo as informações apuradas pela denúncia e pelo deputado, a Siemens, naquele momento, havia feito uma "devassa" em seu quadro de diretores, demitindo diversos funcionários.
"A intenção é investigar porque o escritório de advocacia que a Siemens contratou não avançou em relação às denúncias relacionadas ao Brasil". O deputado também sinalizou preocupação pelo fato de o contrato denunciado já ser considerado irregular pelo Tribunal de Contas do Estado, mas que ainda assim foi renovado e continua em vigor.
Sem resposta
Durante coletiva no início da tarde desta terça-feira (15), a reportagem da Rede Brasil Atual questionou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) sobre as denúncias do dia anterior. Mas, ao ouvir a pergunta, Alckmin preferiu não comentar e encerrou imediatamente a entrevista.
Por: Virginia Toledo, Rede Brasil Atual | 15/02/2011, 14:15 | atualização 16/02/2011, 10:54
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