Marabá é município estratégico para investimentos

A escolha do município de Marabá como sede da Aços Laminados do Pará (Alpa), a primeira grande siderúrgica da Região Norte do Brasil a ser implantada pela Vale, foi uma decisão pensada pela direção da empresa para atender a objetivos muito bem definidos. “A nossa siderúrgica não foi concebida para exportar produtos semi-acabados, a placa de aço. Ela foi projetada para produzir chapas de aço destinadas ao consumo no mercado interno”, afirmou esta semana, em entrevista exclusiva ao DIÁRIO o diretor do Departamento de Aços Laminados do Pará da Vale, José Carlos Soares.

Se a Alpa tivesse sido projetada para simplesmente aumentar as exportações brasileiras de aço, como outras siderúrgicas já em funcionamento ou em fase de implantação no País, ela ficaria localizada em Barcarena ou, mais provavelmente, em São Luís do Maranhão, porque neste caso um dos pré-requisitos básicos seria a sua proximidade com um terminal marítimo. “A Alpa tem características singulares que fazem dela uma siderúrgica incomum: preferencialmente voltada para o mercado interno, vai permitir a criação de dois grandes polos metal-mecânicos no Pará, em Marabá e no município de Barcarena”, destaca o diretor da Vale.

Pesaram na decisão final pela localização da siderúrgica, de acordo com José Carlos Soares, a privilegiada localização de Marabá e as extraordinárias possibilidades que ela oferece em logística de transporte. A começar pelo fato de que Marabá dista apenas 154 quilômetros de Carajás, o que faz dela uma cidade muito próxima da maior mina de minério de ferro de alta qualidade do mundo. Marabá está, além disso, ligada por via ferroviária a São Luís do Maranhão num trajeto de 738 quilômetros.

Destacou José Carlos Soares que a cidade de Marabá está ligada pela hidrovia do Tocantins ao porto de Vila do Conde, através do rio Amazonas, e por este a toda a Região Norte do Brasil. A cidade se liga também à Região Nordeste pela Estrada de Ferro Carajás através de São Luís e também pela Ferrovia Norte-Sul, que desce até Palmas, no Tocantins, a partir de Açailândia. Ademais, lembrou Soares, no futuro, a Norte-Sul deverá alcançar também a Ferrovia Centro-Atlântica, interligando as regiões Sul e Sudeste.

Ao disponibilizar para o mercado interno a sua produção de chapas de aço, a Alpa criará também condições para a atração de novos empreendimentos. Marabá e Barcarena, em especial, deverão abrigar já na próxima década grandes polos industriais que vão atuar dentro de uma diversificada linha de produtos. As possibilidades são quase ilimitadas, incluindo desde estruturas metálicas até vagões ferroviários, passando por carrocerias de caminhão, barcaças para a indústria naval, botijões de gás, tubos metálicos e outros. A rigor, nenhuma possibilidade pode ser descartada – nem mesmo a indústria automobilística. (Diário do Pará)

Domingo, 27/12/2009, 08:14h

http://www.diariodopara.com.br/noticiafullv2.php?idnot=72995

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