Da bauxita ao alumínio

Revista Minérios & Minerales, Edição 306, terça-feira - 05-08-2008 - 13:28:08

Ciclo termina com a fabricação de janelas, rodas de automóveis e latas de refrigerante, itens com presença obrigatória no cotidiano

Terceiro mineral mais presente na crosta terrestre, a bauxita, uma mistura mineral, com óxidos e hidróxidos de alumínio, é indispensável para a produção de alumínio. Atualmente, as reservas mundiais são de 32 bilhões t, sendo as reservas do Brasil de 3,5 bilhões t, segundo dados do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o que torna o País o terceiro maior produtor de bauxita. No ano passado, foram produzidas 24 milhões t, aproximadamente, significando 12,6% da produção mundial, que chegou a 190 milhões/t.

As maiores reservas brasileiras de bauxita estão localizadas na região amazônica, principalmente no Pará, e na região de Poços de Caldas e Cataguases, em Minas Gerais. Dados do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) indicam que a quantidade de bauxita exportada no ano passado foi de 5,7 milhões t, enquanto o consumo doméstico de bauxita para usos metálicos foi de, aproximadamente, 18 milhões t. Se os números forem comparados com 2005, houve uma redução em 24% das exportações em relação ao ano passado, considerando o consumo interno para abastecer as demandas das refinarias de alumina da região Norte.

Um dos fatos mais interessantes é que mesmo sendo a bauxita um dos minerais mais comuns na crosta terrestre, a produção do alumínio ou alumina só é economicamente viável quando se pode contar com depósitos de grandes volumes e de boa concentração de minério. O superintendente de Mineração da Alcoa em Juruti, Washington Augusto Demicheli, afirma que aproximadamente 4 t de bauxita produzem 1 t de alumínio. “Da bauxita é retirada a alumina que, por meio do processo de redução, é transformado em alumínio. A produção é constituída de uma série de reações químicas”, explica.

Demicheli observa que essa reação química integra a bauxita desde sua formação. O mineral é formado através de processo químico natural, proveniente da infiltração de água em rochas alcalinas em decomposição e pode ser encontrado próximo à superfície com uma espessura média de 4,5 m. “Antes de iniciar a mineração da bauxita, é necessário ter o cuidado de remover a terra fértil sobre as jazidas, juntamente com a vegetação, e reservá-la para o futuro trabalho de recomposição do terreno. Esse trabalho é muito importante para a preservação do meio ambiente”, observa o gerente de Meio Ambiente e Segurança do Trabalho da Alumar, Domingos Campos.

O processo é iniciado quando, em equipamentos chamados precipitadores, a alumina contida na solução é precipitada pelo processo de “cristalização por semente”. O material resultante precisa ser lavado e seco por aquecimento. “Assim, é obtido o primeiro estágio da produção de alumínio: a alumina, que se apresenta sob a forma de pó branco e refinado, muito semelhante, em aspecto, ao açúcar”, afirma Demicheli.

Nesta fase, o processo químico denominado Bayer é o mais utilizado. Nele, a bauxita é filtrada para separar todo o material sólido, concentrando-se o filtrado para a cristalização da alumina. Esses cristais são secos e calcinados a fim de eliminar a água. Então, a alumina é finalmente transformada em alumínio por meio de um processo de eletrólise.

Segundo o superintendente de Juruti, os principais hidróxidos de alumínio encontrados na bauxita são a gibsita (principal), bohemita, diáspora e kaolinita. Ele afirma que o teor de alumina aproveitável na bauxita, para a produção de alumínio ser economicamente viável, depende da relação entre o teor da alumina aproveitável e seu custo. Existem refinarias que processam bauxitas com até 30% de alumina aproveitável, mas valores abaixo deste tornam o processamento pouco viável, informa.

Desafios na produção

Durante o processo de produção, ele explica que um dos maiores desafios é gerar a maior quantidade possível de alumina utilizando o menor volume de insumos, com qualidade. Outro grande desafio é o fato da cadeia produtiva do alumínio ser uma consumidora intensiva de energia. Dados do Ibram do ano passado indicam que, em função do baixo nível de investimento público na geração de energia elétrica, as empresas brasileiras geram 60% do seu consumo, enquanto a média mundial é de 28% de geração própria.

O gerente de Meio Ambiente e Saúde do Trabalho destaca que, no caso da Alcoa, uma das ações para sanar o problema é aproximar-se da auto-suficiência por meio de geração hidrelétrica, fonte renovável e limpa: Essa é uma das estratégias da empresa para garantir o fornecimento contínuo, a custo competitivo.

Outra constante preocupação da indústria de alumínio, segundo Campos, é o compromisso com a proteção do meio ambiente, obedecendo às leis e regulamentos e se antecipando às suas exigências. Tudo para se obter eficiência máxima no uso das matérias-primas e eliminando os impactos que possam resultar de operações do setor.

“A Alcoa atua por meio das melhores práticas de recuperação de áreas mineradas de bauxita. Em Poços de Caldas, por exemplo, onde está presente há 42 anos, foi implementado um sistema de reabilitação que é referência mundial, tendo sido reconhecido duas vezes pelo Prêmio de Excelência Ambiental, em 1993 e 1999, concedido pela Alcoa Inc. A reabilitação de áreas mineradas no País é comum na Alcoa mesmo antes da Constituição de 1988, que estabeleceu a obrigatoriedade da prática pelas empresas de mineração”, diz. Ele afirma ainda que em Juruti, onde a Alcoa está instalando a unidade de mineração, as áreas recuperadas seguirão as mesmas práticas de excelência adotadas pela empresa no mundo.

Depois da transformação da bauxita em alumina e desta em alumínio, o produto passa a estar presente em todos os aspectos essenciais da vida humana. Do telhado da casa à lata de refrigerante, das janelas aos filmes e embalagens de plásticos e de alumínio, da pintura ao creme dental, do motor às rodas do carro. No mercado interno, a maior parte do alumínio e seus produtos, segundo dados da Associação Brasileira de Alumínio (Abal), é aplicada nos segmentos de embalagens e transportes, seguida pelos segmentos de eletricidade, construção civil, bens de consumo, máquinas e equipamentos.

Consumo e reciclagem

Mesmo com a alta utilização no mercado interno, dados do DNPM indicam que o consumo de alumínio no Brasil ainda é inferior se comparado a outros países. O país consome 4 kg por habitante, enquanto os Estados Unidos consomem 37 kg por habitante e o Japão 31 kg por habitante.

O superintendente da Alcoa destaca que a infinita capacidade de reciclagem do alumínio permite que os produtos descartados reiniciem o círculo, transformando-se em novos produtos, que continuam a servir à sociedade. “Esse alumínio infinitamente reciclável, que, no Brasil, é feito a partir de energia renovável, não-poluente e natural, é um verdadeiro banco de energia para as futuras gerações. E uma boa demonstração de que nosso produto contribui e contribuirá cada vez mais para as soluções necessárias para um futuro sustentável”, afirma.

Prova dessa capacidade de reciclagem está no fato de o Brasil ser, segundo dados da Abal e da Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta Reciclabilidade (Abralatas), o líder do ranking mundial de reciclagem, com a marca de 96,2%, seguidos pelo Japão com pouco mais de 92%. A relação entre sucata recuperada e consumo doméstico é de 37,8 % (dados de 2006), quando a média mundial é de 29,3%.

http://www.minerios.com.br/index.php?id_materia=811

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