Alstom de olho nos Brics

Como a companhia francesa está mudando para aproveitar o boom dos negócios de infraestrutura nos mercados emergentes

Ao ganhar um contrato de fornecimento de 168 carros para o metrô de Chennai, na Índia, a multinacional francesa Alstom já tinha pronta sua estratégia: o design e a fabricação das dez primeiras composições serão feitos em sua fábrica no bairro da Lapa, em São Paulo.
 
Depois, pelas exigências de 70% de nacionalização do produto indiano, começa a construção dos vagões naquele país, mas com importação parcial de componentes da China. O custo dos trens será 20% mais baixo que o similar ocidental.
 
Esse é um bom exemplo da mudança dentro da Alstom, que está passando de uma multinacional historicamente concentrada em mercados desenvolvidos para uma empresa que tem a maior parte do faturamento nos mercados emergentes.
 
Do total de encomendas entre abril e dezembro do ano passado, no valor de E 12,5 bilhões, 60% vieram de países em desenvolvimento. Esta será uma nova realidade duradoura e não se trata apenas de uma consequência de curto prazo da crise internacional, acredita Ghislain Lescuyer, vice-presidente sênior corporativo de estratégia e desenvolvimento da Alstom.
 
“Temos que nos adaptar às novas regras do jogo, e isso significa mudar a oferta de produtos até investir nos locais certos”, disse Lescuyer. A prioridade no investimento é dada aos Brics, sigla usada para denominar Brasil, Rússia, Índia e China.
 
Não por acaso, a multinacional investiu no Brasil R$ 165 milhões nos últimos 18 meses na expansão de sua capacidade produtiva. O investimento mais recente é a construção da fábrica de equipamentos para geração de energia eólica em Camaçari, na Bahia, que deve ficar pronta este ano e já tem pedidos de E 200 milhões em carteira.
 
“Queremos estar em todos os novos projetos de infraestrutura no País e crescer nas três áreas em que atuamos de equipamentos para geração e transmissão de energia e transporte”, afirmou à DINHEIRO Philippe Delleur, presidente da Alstom no Brasil.

A Alstom ganhou contratos de fornecimento de turbinas para as três grandes hidrelétricas da região Amazônica – Jirau, Santo Antônio e Belo Monte.
 
Atualmente, Patrick Kron, CEO mundial da Alstom, negocia com as grandes construtoras uma participação na licitação do trem-bala brasileiro, que poderá render vendas de até R$ 3 bilhões. O Brasil representa cerca de 8% da receita do grupo.
 
As mudanças na demanda mundial afetam o leque de produtos de acordo com novas necessidades nos países consumidores. Na área de transportes, é necessária uma maior diversificação dos itens de conforto e tecnologia em trens urbanos e metrô. 
 
Cresce o interesse por produtos intermediários, chamados no jargão da indústria de “bons o suficiente”. Metrópoles como Bogotá e Cidade do México optaram por eles, assim como as francesas Nantes e Besançon. São Paulo tem equipamentos considerados top de linha; Rio de Janeiro e Bangkok escolheram modelos mais básicos.
 
No segmento de equipamentos e sistemas para transmissão de energia está crescendo a demanda pelas redes de grande extensão. A companhia herdou depois da aquisição da Areva o contrato do linhão do Madeira, entre Porto Velho e Araraquara.

Por Tatiana Bautzer | IstoÉ Dinheiro | 25.MAR - 21:00

http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/52636_ALSTOM+DE+OLHO+NOS+BRICS

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